Muito se fala de identidade de gênero e orientação sexual no Brasil. A discussão tem sido acalorada nos últimos anos. Cada vez mais os movimentos sociais se preocupam em proporcionar mais inclusão para as pessoas. Além disso, em pleno século 21 há muita discriminação, agressões verbais, sexuais e físicas contra a população LGBTQIA+. Por vezes, essas pessoas em constante contato com casos de preconceito, violência, exclusão e estigma podem desencadear: estresse, sofrimento, ansiedade, estresse pós traumático, síndrome do pânico, angústia, depressão e nos casos mais graves, suicídio.
Transgênero é a pessoa que nasceu em um gênero diferente de seu sexo atribuído, pessoas trans são mortas diariamente fruto de um preconceito sem qualquer fundamento ou com base em que ser diferente é errado.
Orientação Sexual e Identidade de Gênero
Orientação sexual diz respeito ao interesse sexual por outras pessoas. Pode ser por pessoas do mesmo gênero (homoafetivo/homossexual), por pessoas do gênero oposto (heteroafetivo/heterossexual), por ambos os gêneros (biafetivo/bissexual) ou por pessoas de ambos os gêneros e pessoas não binárias (pan-afetivo/pansexual). Identidade de gênero é a forma como a pessoa se vê, sente e se identifica ao gênero (cisgênero, transgênero, não-binário).
Tipos de Identidade de Gênero:
Cisgênero: é a pessoa que se identifica com o sexo biológico designado no momento de seu nascimento - (homem ou mulher). O prefixo cis-, acrescentado à palavra “gênero”, vem do latim e significa “do lado de cá”.
Transgênero: é quem se identifica com um gênero diferente daquele atribuído no nascimento. Pensando no significado etimológico, o prefixo trans- significa “além de”, “para além de”, “o outro lado” ou “o lado oposto”.
Não-binário: é alguém que não se identifica completamente com o “gênero de nascença” nem com outro gênero. Esta pessoa pode não se ver em nenhum dos papéis comuns associados aos homens e as mulheres bem como pode vivenciar uma mistura de ambos.
A identidade de gênero não determina a orientação sexual de alguém. Assim, um homem transexual (que nasceu com o corpo feminino e o transformou em um corpo masculino) pode tanto ser homossexual (gostar de homens) quanto heterossexual (gostar de mulheres), ou bissexual (gostar dos dois).
A importância da sigla
Para alguns, LGBTQIA+ pode ser apenas letras, mas o intuito é que um número cada vez maior de pessoas se sintam representadas pelo movimento e as suas pautas defendidas na sociedade. Cada letra representa um grupo de pessoas na sociedade que sofrem diferentes tipos de violência simplesmente pelo fato de não se adequarem aquilo que foi normatizado como sendo o normal na sociedade.
Significado da sigla LGBTQIA+
L = Lésbicas
São mulheres que sentem atração afetiva/sexual pelo mesmo gênero, ou seja, outras mulheres.
G = Gays
São homens que sentem atração afetiva/sexual pelo mesmo gênero, ou seja, outros homens.
B = Bissexuais
Diz respeito aos homens e mulheres que sentem atração afetivo/sexual pelos gêneros masculino e feminino.
T = Transexuais
A transexualidade não se relaciona com a orientação sexual, mas se refere à identidade de gênero. Dessa forma, corresponde às pessoas que não se identificam com o gênero atribuído em seu nascimento. As travestis também são incluídas neste grupo. Porém, apesar de se identificarem com a identidade feminina constituem um terceiro gênero.
Q = Queer
Pessoas com o gênero 'Queer' são aquelas que transitam entre as noções de gênero, como é o caso das drag queens. A teoria queer defende que a orientação sexual e identidade de gênero não são resultado da funcionalidade biológica, mas de uma construção social.
I = Intersexo
A pessoa intersexo está entre o feminino e o masculino. As suas combinações biológicas e desenvolvimento corporal - cromossomos, genitais, hormônios, etc - não se enquadram na norma binária (masculino ou feminino). Nascer com algum tipo de ambiguidade sexual não é tão incomum quanto se imagina. Estima-se que 1 em cada 2.500 nascidos vivos no Brasil tenha essa condição. Há muito mais indivíduos com intersexualidade que albinos, por exemplo. O termo “hermafrodita” já foi usado para designar a ocorrência dessa variação, mas atualmente é questionado no meio médico por seu cunho pejorativo. Falar sobre intersexo é um tema que requer cuidado. Isso porque são pessoas que tendem a sofrer diversas violências médicas e que ainda são pouco compreendidas.
Assexual
Assexuais não sentem atração sexual por outras pessoas, independentemente do gênero. Existem diferentes níveis de assexualidade e é comum que estas pessoas não veem as relações sexuais humanas como prioridade.
+
O + é utilizado para incluir outros grupos e variações de sexualidade e gênero. Aqui são incluídos os pansexuais, por exemplo, que sentem atração por outras pessoas, independentemente do gênero.
Para alguns, LGBTQIA+ pode ser apenas letras, mas o intuito é que um número cada vez maior de pessoas se sintam representadas pelo movimento e as suas pautas defendidas na sociedade. Cada letra representa um grupo de pessoas na sociedade que sofrem diferentes tipos de violência simplesmente pelo fato de não se adequarem aquilo que foi normatizado como sendo o normal na sociedade.
São todos os indivíduos cuja identidade de gênero não corresponde ao seu sexo biológico. De maneira geral, essas pessoas sentem um grande desconforto com seu corpo por não se identificar com seu sexo biológico. Por isso, têm a necessidade de adotar roupas características do gênero com o qual se identificam, se submetem a terapia com hormônios e realizam procedimentos para a modificação corporal, tais como: a colocação de implantes mamários, a cirurgia plástica facial... etc. Na maioria das vezes, desejam realizar a cirurgia de redesignação sexual (cirurgia genital). O termo também pode ser usado para todas as identidades não cisgêneras (transexual, travesti, não binário, crossdresser).
Drag queen
São homens que se vestem como mulher de maneira caricata com o intuito de realizar performances artísticas, que incluem canto e dança, geralmente em festas e casas noturnas.
Drag king
São mulheres que se vestem como homem de maneira caricata com o intuito de realizar performances artísticas, que incluem canto e dança, geralmente em festas e casas noturnas.
O que é ser travesti e transexual ou trans?
Outro termo, mais comum em países como Brasil, Portugal e Espanha, para falar sobre mulheres transgêneros. Travesti é uma pessoa que tem o sexo biológico masculino, mas se identifica como uma figura feminina, muitas vezes mantendo seu órgão genital de origem. Transexual ou Trans se identifica internamente com o gênero oposto ao do seu nascimento, sentindo um desejo persistente de viver e ser aceito como uma pessoa do sexo oposto, além de apresentar sofrimento significativo e uma inadaptação com o seu corpo e sexo anatômico, almejando redefíni-lo com hormonioterapia ou cirurgia de redesignação sexual.
Por volta do segundo ano de vida as crianças já conseguem se identificar como meninos ou meninas e apresentam brincadeiras relacionadas ao seu gênero. Entre os dois e três anos, no entanto, é que tem início a construção da identidade de gênero que, é uma experiência pessoal e profunda que abarca aspectos emocionais, psíquicos, culturais e sociais. Entre os 6 e 7 anos, as crianças passam a ter consciência do seu gênero e de que ele permanecerá o mesmo. A identidade de gênero é oriunda do nascimento. Uma pessoa que “de repente” se descobre transgênero muito provavelmente já vinha lutando contra seus próprios preconceitos e conflitos internos e, finalmente, consegue se expressar como realmente é.
Acolhimento no SUS – Existe no Brasil, na rede pública de saúde, serviços ambulatoriais especializados destinados aos transgêneros, mas infelizmente o acesso a esses serviços ainda é escasso. De acordo com o Ministério da Saúde, os hospitais que podem realizar cirurgias de redesignação sexual, no Brasil pelo SUS são o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, o HC da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, o HC da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, o HC da Universidade de São Paulo e o Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. Além disso, a demora se deve à complexidade do processo, que demanda avaliações psicológicas e psiquiátricas durante um período de até 2 a 3 anos, com acompanhamentos semanais e diagnóstico final que pode encaminhar ou não o paciente para a cirurgia tão aguardada. As novas regras indicam que para todas as pessoas, a idade mínima para os procedimentos ambulatoriais é de 16 anos (psicoterapia + hormonioterapia). Para os procedimentos cirúrgicos (de redesignação de sexo), ela aumenta para os 18 anos. Nesse caso, qualquer indivíduo pode procurar o sistema de saúde e é seu direito receber atendimento humanizado, acolhedor e livre de discriminação, gratuitamente. O tratamento cirúrgico melhora a qualidade de vida da maioria dos que optaram por ele. Quando bem indicado, apenas 1% a 2% confessam arrependimento.
ELE OU ELA? COMO DEVO TRATAR UMA PESSOA TRANS?
Aqui é importante ressaltar a empatia e o respeito. Trate a pessoa pelo gênero com o qual ela se identifica, independentemente de ela ter operado ou de ter retificado seus documentos. Tratar uma mulher trans como homem não só é desrespeitoso, como é transfobia. Na dúvida, o importante é aceitar a definição que a pessoa tem de si e respeitar.
Além disso, o termo “opção sexual” não deve ser usado, já que a sexualidade não é uma escolha. Ninguém escolhe ser heterossexual ou homossexual, por exemplo. Cada um é o que é.
HOMOSSEXUALIDADE OU HOMOSSEXUALISMO?
O sufixo de origem grega “ismo”, denota “condição patológica”, ou seja, doença. Mas ser homossexual não é doença. No dia 17 de maio de 1990 a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças, deixando de existir também o termo “homossexualismo”. E vale lembrar: não dá para curar quem não está doente! Por isso quando for falar, que seja sobre a Homossexualidade.
Lembremos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em
especial de seus três primeiros artigos:
1º) Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e
direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em
relação umas às outras com espírito de fraternidade.
2º) Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as
liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção
de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
3º) Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança
pessoal.
Texto extraído de várias fontes como: Conselho Federal de Psicologia; Educa mais Brasil; Azmina; Correio Braziliense e Ministério da Saúde.
Se você for desse grupo e estiver sofrendo, peça ajuda a um profissional ou procure algum grupo de apoio. O Brasil possui um dos maiores índices de violência e discriminação contra a população LGBTQIA+. Que todos possam conviver em paz, numa sociedade mais justa, digna, sem preconceitos, esteriótipos, com muito respeito, amor e inclusão. Muitas pessoas ainda acham a união homoafetiva uma anormalidade. Repressão sexual, fanatismo religioso, machismo e rigidez na educação são alguns dos fatores que ensinam o indivíduo a ser preconceituoso. Todo preconceito é aprendido em algum momento da vida. Filhos que nasceram de sexos diferentes do desejado pelos pais, traumas de infância, abusos e violência sexual podem desencadear essa insegurança e incapacidade de lidar com as diferenças. Aceitar as adversidades é fundamental. Pessoas que não têm habilidades para administrar suas emoções, se tornam rígidas em relação à sua visão de mundo.Pessoas com baixa autoestima também podem ter uma visão distorcida, pois uma pessoa só é capaz de aceitar o outro quando consegue aceitar-se. Além disso, pessoas com baixa autoestima sentem necessidade de inferiorizar os outros, e acabam encontrando nas diferenças, uma justificativa para tal comportamento.
É importante fazer uma reflexão para conseguirmos encontrar os próprios preconceitos, para que assim consigamos desconstruí-los. Entender as próprias emoções é a melhor maneira de proteger-se do preconceito. A dificuldade em lidar com as diferenças mora na incapacidade de administrar as próprias emoções e sentimentos. Pessoas com inteligência emocional, por sua vez, não perdem tempo com posturas rígidas e arcaicas em relação às diversidades, elas simplesmente aceitam as outras pessoas como elas são e ponto final. Respeitar, exercitar a empatia e o amor fraterno além de ser fundamental, é uma questão de saúde mental.