domingo, 14 de setembro de 2025

Dica de um romance misturado com drama e sobrenatural: The In Between



Filme: The In Between, na Netflix chama-se: Ainda Estou Aqui, de 2022, com Kyle Allen (Skylar) e Joye King (como Tessa).

Olá meus amores, bom dia! Ontem, a minha companhia da noite, foram os filmes, e assisti dois de estremecer o coração! Senta que lá vem história… É um filme para adolescentes? Pode até ser, mas de bobo esse filme não tem nada, se você tiver um olhar mais gentil e paciente com ele. Ele é mais interessante e profundo do que eu supunha, e que filme lindo, ai ai… teve algumas cenas que me comoveram profundamente. 

Se quiser, não leia mais… spoiler! Vai lá assistir o filme e depois volte aqui. 😘

O filme é baseado num livro de Marc Klein (The In Between), e a história é dividida em duas partes, o antes e depois de um acidente quando Skylar (Kyle Allen) morre e Tessa (Joey King) precisa lidar com o luto antes de ir para a faculdade. Os protagonistas vivem um romance de verão literalmente, já que Skylar mora em outra cidade, mas promete voltar para ver Tessa novamente.

No decorrer do filme, podemos conhecer a história de Tessa, que abandonada pela mãe quando criança, acaba por conseguir ser adotada pelo ex-padrasto quando ele se casa, nos dando uma dimensão do seu mundo interno. Tessa, está no seu último ano do ensino médio e está em dúvidas sobre seu futuro, ela é uma fotógrafa amadora e não tem certeza se quer continuar fazendo isso.
Por outro lado temos o Skylar, um garoto espontâneo, poliglota e atleta, ele tem muita certeza e objetividade no que se dispõe a fazer, porém, enfrenta alguns problemas com os pais, que querem se divorciar e que o faz ficar dividido entre seu amor e o seu dever familiar. Skylar ajuda Tessa com algumas de suas dúvidas e a encoraja a seguir os seus sonhos.

Podem notar, o filme aborda o tema sobrenatural, mostrando cenas de antes do acidente, geralmente em cores mais quentes, representando o amor, a construção do relacionamento e a felicidade do casal. E as cenas depois do acidente são caracterizadas por cores mais frias, trazendo a dor, o luto e a saudade que Tessa sente do namorado.

Tessa e Skylar, se encontram pela primeira vez num cinema, onde ela percebe que o filme não tem legenda e é francês. Skylar percebendo isso, gentilmente senta ao lado dela e traduz o filme até o fim. Bom, nesse instante dá para perceber muitas características em Skylar: gentileza, empatia, extroversão e nenhum problema em interagir com estranhos. E Tessa nessa situação toda? Fica se sentindo constrangida e envergonhada, é claro! Nesse ponto, ela é bem diferente dele, mais reservada e na dela. Mas assistindo o filme, você começa a perceber que eles se completam justamente nisso. Ele faz ela se abrir mais para a vida, e ela apresenta para ele o seu mundo de sofrimento, isolamento e o seu amor pela fotografia. Eles se conectam perfeitamente nesses aspectos únicos, de troca mútua e um vai aprendendo com o outro

É um filme triste ao meu ver, porque você perde quem mais ama, vindo à tona, traumas do passado, sonhos e projetos precocemente interrompidos… mas, com bons diálogos entre os personagens. E quando Tessa está apresentando o seu trabalho de fotografia, quase no final do filme, é muito interessante as suas falas, amei! 🥰 E percebam, as fotos ganharam cores. Eu poderia finalizar por aqui, mas como gosto de escrever, vou continuar! 

 O encontro de Tessa e Skylar não é apenas sobre dois jovens apaixonados. É o retrato de algo que todos nós já sentimos: o amor. É a surpresa de ser visto, compreendido e traduzido por alguém.

Skylar é o espelho que mostra a Tessa que há beleza mesmo nas adversidades da vida, e que às vezes, o coração precisa de um outro para acreditar em si mesmo. Mas o medo também mora ali. Medo de confiar, medo de perder, medo de amar, de se abrir, de dizer: eu te amo, e depois não suportar a ausência. É assim que muitos de nós vivemos o amor: com um pé na entrega e o outro na fuga.

Quando o acidente acontece, Tessa perde mais do que um namorado, perde seu alicerce. Ela perde a promessa de futuro, o porto seguro que começava a nascer dentro dela. E, no lugar, fica o vazio. A solidão, a tristeza profunda e a vontade de desistir dos sonhos. 
Esse vazio que chamamos de luto. Que só quem passa, sabe que é muito difícil. 

O “In Between”, esse espaço entre o aqui e o além, não é só sobre fantasmas ou sinais do além. É sobre a alma que ainda não está pronta para soltar o que foi. Não aceitou a morte, e não se permite sofrer. É sobre conversar com quem partiu dentro do silêncio, é sobre segurar uma mão invisível porque a memória ainda pulsa dentro dela. E então, pouco a pouco, Tessa descobre que o amor não termina. Ele se transforma. Deixa de ser presença física, para virar lembrança, memória, inspiração e fotografia.

O que Skylar deixa em Tessa não é ausência, é raiz. É a prova de que o amor verdadeiro não desaparece, ele apenas muda de lugar: ele vai para um outro plano, uma outra dimensão, mas ficará eternamente, dentro dela. 

No fim, amar é aceitar o risco da perda, e que a perda, quando atravessada, pode florescer em força e esperança. Porque o amor que um dia tocou verdadeiramente, nunca morre dentro de nós.

Na psicologia, chamamos isso de internalização do objeto amado, aquilo que foi vivido não se perde, mas se reorganiza em nós como parte da nossa história emocional. O vínculo não desaparece, ele apenas se transforma em memória, inspiração e força interior.

Esse é o momento em que o luto deixa de ser paralisante, para se tornar fonte de crescimento emocional. Do ponto de vista psicológico, Tessa alcança a autonomia emocional: ela já não precisa que Skylar esteja fisicamente ou presente, para sentir amor, porque aprendeu a carregar esse vínculo dentro de si. Amar não significa nunca perder. Significa internalizar o vínculo, transformar dor em memória viva, e seguir adiante com mais inteireza.

Um abençoado domingo a todos! ❤️