quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Não é a solidão que dói… é o que imaginamos que ela significa. Não é o silêncio que incomoda… é o que escutamos dentro dele. Não é a mudança que apavora… é o medo do que pode acontecer com ela...


Hoje escolhi esse quadro acima, ele fica na sala de casa… 🥰 

Outro dia eu li essa frase…
“Quem já sofreu muito tem medo até de ser feliz.” 
Mia Couto

É verdade… Sabe, a dor, quando profunda, não desaparece facilmente. Ela se instala em camadas silenciosas da alma, e passa a moldar a forma como a pessoa enxerga o mundo. Uma constatação sensível sobre os efeitos invisíveis, do sofrimento emocional.

Quando alguém atravessa experiências intensas, de dor… cria-se, de forma inconsciente, uma espécie de mecanismo de defesa. A felicidade, que antes era desejada, passa a ser vista com desconfiança. Isso acontece porque o sofrimento ensina, de maneira dura, que tudo o que é bom pode terminar de forma abrupta. Assim, a pessoa não teme a felicidade em si, mas o risco de perdê-la novamente.

Esse medo faz com que muitos se protejam afastando-se daquilo que poderia fazê-los bem. Passam a esperar que algo dê errado, mesmo quando tudo está indo bem. Não é falta de vontade de ser feliz, é o trauma, silencioso e persistente, que ensina a temer o que antes se sonhava.

Porém, compreender esse medo é o primeiro passo para libertar-se dele. A felicidade não deixa de existir por causa da dor. Ela apenas exige coragem para confiar de novo, mesmo com as cicatrizes ainda abertas. Reaprender a ser feliz é, muitas vezes, mais desafiador do que suportar a própria dor, mas é também um ato profundo de reconstrução, ressignificação e fé no amanhã.

Superar esse temor exige tempo, segurança emocional e, sobretudo, confiança no presente. A felicidade não é ausência de dor, mas a capacidade de acolher o que é bom, sem deixar que o passado determine cada passo do futuro.