quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Dica de Filme: Frankenstein… “Se nossos olhos vissem almas em vez de corpos, quão diferente seria nossa ideia de beleza.” (Frida Kahlo)


Olá meus amores, bom dia! Estão preparados para duas horas e meia de filme? Esse filme tem 2 partes, dentro do filme. A versão do criador e a versão da criatura. Já assistiram Frankenstein? Eu assisti ontem à noite, e querem saber? Gostei, depois tive várias reflexões a respeito dele. Já vou começar dando muito spoiler, vai lá assistir e depois volte aqui. 😘

 Uma das minhas reflexões: é que o desejo de todos nós, é querer ser aceito, ser amado, pertencer em algum lugar. Outra: a beleza não define nada, o que define é a afinidade, a sintonia, a conexão das almas. E essa, todos já sabem, mas não custa relembrar: toda história tem os dois lados. E talvez essa, seja a mais difícil para perceber: todo o diálogo de Victor com a criatura, na verdade era com ele mesmo, uma repetição inconsciente do diálogo dele com o seu pai. Nessa relação de amor distorcido. Outra: Ser pai de um filho, de um sonho ou de uma criação, é dar vida a ele, dar afeto, dar amor e estar presente. O “monstro” nasce da ausência, do sofrimento, da negligência, do abandono, da exclusão. Victor criou um ser, e o deixou sem nome, sem afeto, sem espelho.  Então, quem seria o verdadeiro “monstro”? 

Aqui vai um resumo (com spoilers) do filme Frankenstein (2025), dirigido por Guillermo del Toro e disponível na Netflix. Se você ainda não assistiu esse filme, nem leia mais nada. 

Espoiler… 👇

O filme abre com o navio dinamarquês preso no gelo, na qual a tripulação encontra Victor Frankenstein (interpretado por Oscar Isaac), ferido e delirante, e ao mesmo tempo sob a ameaça de sua criação, que ele gerou. 

Victor começa então a narrar uma longa história de ambição, criação, orgulho e culpa. Ele era um cirurgião brilhante, porém arrogante, que sofreu com traumas da infância (como a morte de sua mãe no parto de seu irmão) e com um pai que ele considerava falho e distante. 

Movido por essa culpa e pelo desejo de superar a morte, e ser melhor que o pai na medicina, Victor realiza um experimento: ele cria vida usando partes humanas, dando origem ao que viria a ser conhecido como a “Criatura” (interpretada por Jacob Elordi).

A Criatura nasce inocente, mas ao descobrir seu corpo, seu ‘ser’, sua imagem, e ser rejeitada, tanto pelo próprio criador quanto pela sociedade, ela sofre e se revolta. 

Uma das principais linhas do filme é o vínculo distorcido de pai-e-filho entre Victor e a Criatura. Del Toro afirma que esse era “um filme sobre um pai e um filho e sobre o que significa se tornar pai, depois de ter sido filho”. 

Victor insiste em controlar a Criatura, em impor obediência, e trata-a como experimento antes de coisa humana. A Criatura, por sua vez, deseja aceitação, amor, identidade e questiona: “Quem sou eu? Onde pertenço?” Ela não entendia, porque era tão rejeitada por todos. Mas encontrou compreensão, afeto, amor e redenção nos momentos que teve com um velho camponês cego, que tornou seu melhor amigo e aprendeu muitas coisas com ele. O que é o amor, o que é a amizade, a leitura de livros e as variadas histórias da vida. 

Conforme a trama avança, a Criatura vai em busca do seu criador, pedindo uma companheira, pois não aguenta mais essa vida eterna e sua solidão. Persegue-o, causa caos, até o clímax no Ártico, onde ambos se confrontam.

No momento final, depois de muita perseguição, Victor está moribundo. A Criatura chega para ele, não com vingança pura, mas com compreensão: o monstro exige que Victor diga seu nome pela última vez e Victor o faz. E o chama de filho. Pedindo o seu perdão, pois hoje sabe que não o deveria ter tratado tão mal. 
Victor morre em paz, parcialmente redimido.  Ele faz uma ação simbólica: ajuda o navio preso no gelo, depois parte para o sol do Ártico, ergue os braços ao sol, com uma lágrima caindo e como se aceitasse sua condição, mesmo no isolamento. 

“Senti-me mais sozinho do que nunca, porque, para todo homem, só havia um remédio para a dor: a morte, um dom que você também me negou.” (A Criatura)

Talvez a grande mensagem do filme seria essa: aceitar a vida como ela é, e fazer de cada momento um espetáculo grandioso, como quem abre os braços para o sol, sentindo o seu calor, talvez seja isso… apreciar os pequenos detalhes da vida e aceitar a nossa própria solidão e incompletude. 

Sabe, esse filme é um convite para aceitarmos as nossas imperfeições também, além de sermos mais empáticos com aquilo que é diferente ou estranho para nós. E o perdão como uma força motriz transformadora. Se fosse para resumir esse filme em uma só palavra, seria: aquiescência. Pois o desejo de todo ser humano é ser amado e aceito. E quando isso é negado, pode nascer dentro do seu ser o ressentimento, a culpa, o ódio, o isolamento e a destruição. 

Assistam o filme e tirem suas próprias conclusões. Eu gostei. E vou adorar saber a opinião de vocês. 

Agora, seria tão interessante um filme dirigido por Del Toro sobre O Retrato de Dorian Gray ou O Fantasma da Ópera. O que vocês acham? Beijos, vou ficando por aqui! ❤️😘

“E assim o coração se partirá, mas partido, continuará a viver.” - Byron - Frankenstein/2025