sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Brincadeira de criança…

Você tem lembranças da sua infância? Nossa, outro dia conversando com uma amiga muito querida da minha infância, ela disse que quando nós brincávamos de casinha com 6-7 anos de idade, que eu nunca queria ser o pai, a mãe e o bebê da família, que eu sempre queria ser a avó… Rimos muito, e eu me lembro disso. Hoje, olhando para trás e refletindo sobre isso, talvez tenha vários significados… Quando eu era criança, brincar de casinha não era apenas uma distração, mas uma forma silenciosa de organizar o mundo ao meu redor. Por exemplo, a avó que eu sempre queria ser, não era o centro da autoridade rígida, nem a fragilidade do bebê; ela transita entre gerações, oferecendo acolhimento, conselho, cuidado e presença. Ao assumir esse papel, eu me colocava numa posição de quem observa com atenção e interfere apenas quando necessário. Psicologicamente, isso pode indicar uma criança sensível às emoções alheias, mais inclinada a compreender do que a disputar como as figuras de pai ou mãe, a avó está mais interessada em manter o equilíbrio, a ordem, do que em protagonizar conflitos.

Ser a avó também significava estar num lugar de experiência e respeito. Na brincadeira, a avó é alguém que já viveu muito, que sabe como as coisas funcionam e cuja palavra tem peso. Para uma criança, isso pode representar o desejo de amadurecer rápido, de ser reconhecida como alguém capaz de compreender o mundo além do imediato. Não se trata de uma rejeição da infância, mas de uma tentativa de encontrar segurança em um papel que oferece estabilidade emocional.

Além disso, essa escolha estava ligada às minhas vivências reais. Eu tive uma avó muito afetuosa, extrovertida, engraçada e que era muito inteligente e que me ajudava sempre que eu precisava, com seus conselhos, eu gostava de desabafar com ela sobre a vida… e desde criança, eu já enxergava nela, esse lado amoroso e afetuoso. E se for pensar bem, até que eu era bem espertinha, quando criança, porque a avó sendo a anciã da família, ninguém manda nela. Ela já tem a sua própria independência, autoridade e todos a enxergam com respeito, ela sempre vai ser ouvida e todos vão obedecê-la. Então, o faz-de-conta, nesse sentido, funciona como um espaço onde a criança reelabora vínculos, cria refúgios emocionais e experimenta formas de cuidado que nem sempre estão disponíveis na realidade.

Assim, o desejo recorrente de ser a avó revela mais do que uma preferência inocente: aponta para uma construção subjetiva marcada pelo cuidado, pela escuta e pela busca de um lugar no mundo, seguro dentro das relações. Ao revisitar essa memória, é possível reconhecer como a criança de então, já ensaiava modos de ser que, muitas vezes, acompanham o adulto ao longo da vida. A brincadeira termina, mas os significados que eles carregam permanecem, discretos, moldando gestos, escolhas e formas de estar no mundo. A minha avó representava simbolicamente o aconchego, o afeto, a sensação de estar em casa, a responsabilidade de cuidar de todos com amor e responsabilidade, além de aconselhar e escutar com respeito, carinho e sabedoria. E se for pensar por esse lado, talvez eu sempre soube desde criança que o meu propósito de alma era esse mesmo… fazer psicologia, aprender a escutar, apoiar, ser empático e tentar ajudar as pessoas sempre que possível. Interessante, não? Quando eu era pequena eu também vivia pedindo um irmãozinho para a minha mãe, eu queria muito que ela tivesse um outro filho. Porque os meus irmãos são mais velhos e todos eles por parte de pai, eu sou fruto do 2º casamento do meu pai com a minha mãe. E eu sempre quis um irmão ou uma irmã menor, para brincar e cuidar. Mas, nunca fui atendida… rsrs, pois eu já tinha 3 irmãos mais velhos. 

 Eu não tive o irmão/irmã mais novos que eu tanto queria cuidar… Então, sabe o que eu fazia? Inconscientemente, é claro, para a realização desse meu desejo… Com 10/11 anos, eu ia na casa de uma vizinha que tinha 3 filhos pequenos, e a mãe deixava eu brincar com eles, eu levava os três para a minha casa, era uma menina e dois meninos… eles deviam ter 4,6 e 7 anos, e a mãe devia dar graças a Deus que eu fazia isso… assim, ela descansava um pouco. Eu colocava uma lousa no quintal de casa, pegava umas cadeiras e uma mesinha… uns papéis, lápis de cor, canetinha e massinha de modelar e eu fingia que era a professora deles… rsrs E ensinava algumas coisinhas também, tudo o que eles queriam saber, ou me perguntar, eu respondia. Quando eu me cansava deles, eu levava eles de volta para casa. E pensa que eles queriam voltar para casa deles? Não! Mas eu ficava cansada, “cuidando” dos três. Ai gente, estou rindo sozinha aqui, lembrando dessas histórias.  Você se lembra do que gostava de brincar quando era criança? Talvez, isso fale mais de você hoje, do que você pressupõe. Quais eram suas brincadeiras preferidas? Pensa aí!  É tão bom reviver essas histórias e dar umas boas risadas. 🤭 Hoje, já estão todos adultos, casados e com filhos… encontrei a mãe daquelas crianças, no shopping, uma vez (já faz muito tempo), e bati um papo com ela. Ela estava super feliz porque ela já era avó. Ah, como o tempo passa rápido… deixando uma saudade que não volta mais. 🫶🏻