A maturidade é uma escolha silenciosa, repetida diariamente, quase sempre longe dos holofotes. Ela não chega com a idade como um presente automático, nem se instala de uma vez só, como uma chave virada na fechadura. A maturidade nasce do encontro entre consciência e responsabilidade, e cresce toda vez que alguém decide olhar para si sem máscaras e para o mundo sem ilusões. Querer mergulhar nas próprias sombras, parar de ser reativo, parar de se culpar e culpar os outros por tudo e assumir a própria responsabilidade pelas coisas que lhe acontecem.
Escolher amadurecer é aceitar que a vida não se organiza em torno dos nossos desejos, mas exige diálogo constante com limites, frustrações e consequências. Há quem envelheça sem amadurecer, acumulando anos como quem empilha caixas fechadas. E há quem amadureça cedo, não por ter sofrido mais, mas por ter refletido melhor sobre o que viveu. A diferença está menos no que acontece e mais na forma como se escolhe interpretar e responder ao que acontece.
Amadurecer é perceber que nem toda dor é injustiça e nem todo desconforto é um ataque pessoal. É entender que o outro não é um espelho a serviço do nosso ego, mas um universo próprio, com falhas, medos, imperfeições e limites. Psicologicamente, a maturidade surge quando a pessoa deixa de reagir apenas por impulso e passa a refletir, a responder com observação. Reagir é automático; pensar antes para depois responder, é uma escolha. Agir com maturidade sem impulsividade é uma decisão.
Um exemplo prático aparece nos conflitos cotidianos. Uma pessoa imatura tende a transformar qualquer crítica em ofensa e qualquer desacordo em ameaça e discussão. Já alguém que escolhe amadurecer, respira fundo antes de responder, tenta compreender o contexto e pergunta a si mesma se vale mais vencer a discussão ou preservar a relação e a própria paz. Não é submissão, é discernimento. É escolher o que constrói, não apenas o que alivia momentaneamente o orgulho.
Outro exemplo, está na responsabilidade emocional. Amadurecer é reconhecer os próprios sentimentos sem transferir sua gestão para os outros. Em vez de dizer “você me faz sentir assim”, a pessoa madura aprende a dizer “isso despertou algo em mim, preciso entender por quê”. E ela vai mergulhar nós próprios pensamentos e refletir sobre aquilo, ao invés de projetar nos outros as suas emoções, insatisfações ou inseguranças. Essa mudança de linguagem, revela uma mudança interna profunda: a saída do papel de vítima e a entrada no papel de protagonista da própria história.
No campo das escolhas de vida, a maturidade aparece quando alguém abre mão de prazeres imediatos em favor de valores duradouros. É escolher estudar quando ninguém está olhando, cumprir um acordo mesmo quando seria fácil quebrá-lo, pedir desculpas sem adicionar justificativas defensivas. Pequenos gestos, quase invisíveis, que moldam uma estrutura psíquica mais estável e íntegra.
A maturidade, portanto, não é um destino, mas um movimento contínuo. Escolhe-se amadurecer quando se aceita aprender com os erros em vez de repeti-los com novas desculpas. E amadurece-se porque se escolhe, de novo e de novo, agir com mais consciência, integridade, verdade, do que ontem. Nesse ciclo, a pessoa não se torna perfeita, mas se torna mais inteira. Tem um psicólogo que gosto bastante chamado Carl Rogers. Em síntese, para Carl Rogers, amadurecer é tornar-se cada vez mais congruente. E o que seria isso? É reduzir a distância entre quem se é e quem se vive sendo. Quanto menor essa distância, menos energia psíquica é gasta em defesas e mais espaço surge para crescimento, autonomia e relações autênticas. A maturidade, nesse sentido, não endurece a pessoa, ela a torna mais inteira, mais flexível e mais verdadeira. Um exemplo prático de incongruência, seria alguém que se diz satisfeito no trabalho, mas vive exausto, irritado e adoecendo. Internamente, o corpo e as emoções sinalizam desgaste, mas a consciência insiste em negar essa realidade. A congruência começa quando a pessoa admite: “Algo aqui não está bem”, mesmo antes de saber o que fazer com isso. Em última análise, amadurecer é um compromisso ético consigo mesmo. É escolher, dia após dia, reduzir as distâncias internas, escutar o que se sente e agir com responsabilidade sobre isso. A congruência, como propôs Carl Rogers, não é um ponto de chegada, mas um processo vivo, em constante ajuste. Quanto mais a pessoa se autoriza a ser verdadeira, menos precisa se proteger do mundo. E é nesse encontro entre autenticidade e escolha consciente que a maturidade se consolida: não como ausência de conflitos, mas como a capacidade de atravessá-los sem se abandonar ou adoecer. Pense nisso!
Estou indo, mas quero deixar três questões para refletirmos… e eu me incluo nessa também, afinal, o amadurecer é um caminho sem fim… é uma jornada constante de autoconhecimento e autoanálise. Então, vamos, começar: Em quais áreas da minha vida eu ajo de forma diferente do que realmente estou sentindo? E o que temo perder se for mais congruente? Quando enfrento conflitos, estou reagindo para me defender ou respondendo de forma consciente e madura?
Maturidade é o encontro corajoso de quem somos e quem escolhemos ser…
Bjs, boa semana! 🫶🏻
