Olá meus amores! Tudo bem com vocês? Hoje eu quero falar do apego evitativo. Há quatro tipos de apegos: evitativo, desorganizado, ansioso e seguro. Formamos esses tipos de apegos na nossa infância. Porém há como mudarmos através de consciência, clareza, vontade, terapia e mudanças de comportamentos, além de experienciarmos relações mais seguras e saudáveis. Vem! 😉 No decorrer dos dias, explicarei os outros tipos de apego: Ansioso e Desorganizado.
Estudos clássicos e contemporâneos em psicologia do apego indicam que, em populações gerais: Apego seguro: cerca de 55% a 65% das pessoas.
Apego ansioso: aproximadamente 15% a 20%
Apego evitativo: cerca de 20% a 25%
Apego desorganizado: em torno de 5% a 10%, mais comum em contextos de trauma.
Esses números variam conforme cultura, contexto social e histórico familiar, mas o padrão se mantém: a maioria das pessoas desenvolve apego seguro. Isso acontece porque não é preciso uma infância ideal para isso. Basta um cuidado “bom o suficiente”, como diria Winnicott. A segurança nasce da previsibilidade emocional, não da perfeição.
O que define o apego seguro? O apego seguro é como um chão firme que não chama atenção. Quem o possui tende a: Sentir-se confortável com intimidade e autonomia. Confiar que pode contar com o outro sem perder a si mesmo. Expressar necessidades emocionais de forma direta. Tolerar conflitos sem vivê-los como ameaça de abandono. Regular emoções com flexibilidade.
Pessoas seguras sentem medo, ciúme e tristeza, mas não ficam aprisionadas neles. A emoção passa pelo corpo, não toma o comando da identidade.
É possível transformar um apego evitativo em apego seguro?
Sim. E essa é uma das descobertas mais importantes da psicologia do desenvolvimento adulto. O apego não se cristaliza na infância. Ele é um sistema vivo, sensível a novas experiências emocionais corretivas.
Como essa transformação acontece?
Ela não ocorre por força de vontade nem por leitura teórica isolada. O caminho é relacional e experiencial.
Consciência do próprio padrão: reconhecer como se reage à intimidade, ao conflito e à vulnerabilidade é o primeiro passo. Nomear o padrão reduz sua força automática.
Relações suficientemente seguras: um vínculo consistente com um parceiro amigo, pode funcionar como um novo mapa emocional. A repetição de experiências onde o outro não abandona, não invade e não invalida, reescreve o sistema de apego.
Psicoterapia como laboratório emocional: a relação terapêutica oferece algo raro: proximidade com limites claros. É um espaço onde emoções podem existir sem consequências catastróficas.
Aprender a regular emoções em conjunto: a segurança não nasce do controle solitário, mas da regulação das emoções. Compartilhar medo, pedir apoio e sobreviver a isso é transformador.
Revisão de crenças centrais: frases internas como “não posso depender”, “vou ser abandonado” ou “preciso me proteger” vão sendo questionadas não pela lógica, mas pela experiência repetida de que elas nem sempre se confirmam.
Um ponto essencial: transformar o apego não significa eliminar traços antigos. Em momentos de estresse, eles podem reaparecer. A diferença é que, com mais segurança, a pessoa percebe o movimento e consegue escolher outra resposta.
O apego seguro não é ausência de medo. É a confiança de que o medo pode ser atravessado acompanhado.
No fim, tornar-se mais seguro é menos sobre mudar quem você é e mais sobre permitir que o vínculo deixe de ser uma ameaça e passe a ser um lugar possível de descanso.
Agora vou falar sobre o apego evitativo… Vem entendê-lo! 👇
O apego evitativo é uma paisagem psíquica silenciosa, mas cheia de sinais. Não é um vazio emocional, como muitas vezes se imagina, e tampouco uma frieza inata. Ele é, antes de tudo, uma estratégia aprendida de sobrevivência emocional, construída quando a proximidade afetiva deixou de ser segura.
Na teoria do apego, formulada por John Bowlby e expandida por Mary Ainsworth, o ser humano nasce biologicamente programado para buscar vínculo. O bebê não busca apenas alimento ou proteção física, mas regulação emocional. Quando o ambiente responde de forma previsível, acolhedora e sensível, o sistema de apego se organiza de maneira segura. Quando isso não acontece, a psique encontra outros caminhos. O apego evitativo é um desses caminhos.
Sua origem: o apego evitativo costuma se formar em contextos nos quais as necessidades emocionais da criança são minimizadas, ignoradas ou rejeitadas. Não é necessário abuso explícito. Muitas vezes, o cenário é mais sutil: cuidadores emocionalmente indisponíveis, excessivamente focados em desempenho, autonomia precoce ou racionalidade. A criança aprende cedo que demonstrar vulnerabilidade não gera acolhimento, mas distância.
Diante disso, o sistema psíquico faz um cálculo silencioso: se eu não preciso, não sofro. Emoções intensas passam a ser suprimidas, desejos de proximidade são enterrados e a autossuficiência se torna um valor central. O vínculo não desaparece, ele é desativado.
Essa desativação não significa ausência de afeto. Significa que o afeto foi colocado sob controle rígido.
Internamente, o indivíduo com apego evitativo constrói um modelo de funcionamento baseado em três pilares: Autonomia como proteção: A independência deixa de ser uma escolha saudável e passa a ser uma armadura. Pedir ajuda, depender, precisar do outro, tudo isso soa como ameaça à integridade do eu.
Intelectualização das emoções: Emoções são analisadas, explicadas, organizadas em conceitos, mas raramente sentidas até o fim. Há uma tendência a falar sobre sentimentos como quem observa o clima pela janela, sem se molhar na chuva.
Desconfiança da intimidade: Quanto maior a proximidade emocional, maior o risco percebido de invasão, perda de controle ou rejeição. O amor é desejado, mas também vigiado.
O evitativo não foge do outro por falta de sentimento, mas por excesso de custo emocional associado ao vínculo.
Na vida adulta, o apego evitativo se manifesta de forma especialmente intensa nos relacionamentos amorosos. Existe um paradoxo central: o desejo por conexão coexistindo com o impulso de afastamento.
No início das relações, o evitativo pode parecer envolvido, curioso, até intenso. Mas à medida que a intimidade cresce, surgem sinais de desconforto: necessidade exagerada de espaço, irritação com demandas emocionais, racionalizações sobre o relacionamento ou uma sensação difusa de sufocamento.
É comum que o evitativo se conecte com pessoas de apego ansioso, formando uma dança relacional marcada por aproximação e afastamento. Enquanto um pede mais presença, o outro se retrai. Esse ciclo reforça as crenças internas de ambos: o ansioso confirma que será abandonado, o evitativo confirma que proximidade gera pressão.
As emoções bloqueadas não desaparecem, acumulam-se. Um ponto crucial na psicologia do apego evitativo é que emoções reprimidas não se dissolvem, elas se deslocam. Muitas vezes, o evitativo não se percebe como alguém emocionalmente afetado, mas o corpo conta outra história: tensão crônica, ansiedade silenciosa, fadiga emocional, dificuldade de relaxar profundamente.
Além disso, emoções não reconhecidas tendem a emergir de forma indireta, como irritabilidade, cinismo, desapego abrupto ou uma necessidade constante de controle. O que não pôde ser expresso como necessidade aparece como defesa.
O falso mito da frieza: existe um equívoco recorrente: associar apego evitativo à frieza ou falta de empatia. Na realidade, muitos evitativos sentem intensamente, mas sozinhos. Eles aprenderam a processar o mundo emocional sem testemunhas. O problema não é sentir pouco, é sentir sem suporte.
Por isso, quando confrontados com emoções alheias, especialmente emoções que exigem resposta afetiva, podem se sentir sobrecarregados. Não porque não se importam, mas porque não aprenderam a co-regular emoções.
O apego evitativo não é um destino fixo. Ele é plástico, moldável, sensível a novas experiências relacionais. A mudança começa quando a pessoa percebe que sua autossuficiência, embora eficiente, cobra um preço alto: solidão emocional, vínculos rasos ou instáveis e dificuldade de se sentir verdadeiramente visto.
A psicoterapia é um espaço privilegiado para esse trabalho, pois oferece uma relação segura onde a proximidade não invade e a vulnerabilidade não é punida. Aos poucos, o evitativo pode aprender que depender não anula, que sentir não destrói e que o vínculo pode ser um lugar de repouso, não de ameaça.
Desenvolver um apego mais seguro não significa abandonar a autonomia, mas integrá-la à capacidade de conexão. É descobrir que força e sensibilidade não são opostas, mas partes do mesmo sistema vivo.
No fundo, o apego evitativo não é a recusa do amor. É a memória de um amor que não foi confiável. Curá-lo não é forçar proximidade, mas criar, repetidamente, experiências onde o encontro não dói.
Vou ficando por aqui. Bjs meus amores e um abençoado sábado! 🫶🏻