Eu escutei isso outro dia e fiquei refletindo… “eu não posso separar do meu marido, eu vou ser excomungada da igreja que frequento”. “Me aconselharam a fazer voto de castidade por vários meses, para eu me purificar”. Humm… 🤔
Na hora que eu escutei isso eu só pensei: “Meu Deus que “igreja” será essa?” “Ainda existem pensamentos assim e que impõe isso para as pessoas? Fiquei com um “nó” na minha cabeça depois que ouvi isso. Gente, ai ai… 😖 Vamos lá…
Não vou fazer nenhum julgamento aqui, longe de mim, mas vou dar a minha opinião, e vou falar de Jesus e já quero colocar Nietzsche nessa história também, pois a sua crítica sobre as religiões são enriquecedoras, no meu ponto de vista. E sim, eu acredito em Deus, mas num Deus justo, bom, misericordioso e que não castiga ninguém. Cada um é livre para fazer o que quiser da própria vida. Já dizia Paulo de Tarso: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. E isso, eu levo para a minha vida. O paraíso e o inferno estão dentro de cada um de nós. Tudo depende da nossa consciência. Ela pode te aprisionar ou te libertar, em qualquer situação da sua vida. Jesus não castigava e nem julgava ninguém, lembram de Maria Madalena? Mas vamos lá…
Quando alguém afirma que uma mulher não pode se separar do marido porque “o padre, ou sei lá quem… vai excomungá-la”, ou pedindo para fazer “voto de castidade” por um tempo, não está apenas expressando uma opinião religiosa. Está revelando uma forma antiga de compreender a relação entre fé, autoridade e liberdade humana. Essa visão parte da ideia de que a permanência em um casamento é mais importante do que a verdade concreta da vida vivida pelas pessoas que o compõem. Porém, uma reflexão mais profunda, tanto à luz dos ensinamentos de Jesus Cristo quanto da filosofia de Nietzsche, conduz a uma conclusão mais complexa.
Jesus viveu em uma sociedade profundamente marcada por leis religiosas e normas rígidas. No entanto, o aspecto mais revolucionário de sua mensagem não foi a criação de novas regras, mas a valorização da pessoa humana acima das instituições. Repetidamente, ele confrontou líderes religiosos que colocavam a observância formal das normas acima da compaixão, da justiça e da dignidade das pessoas. Sua crítica não era contra a fé, mas contra a transformação da religião em instrumento de controle.
Ao observar os Evangelhos, percebe-se que Jesus demonstrava uma preocupação constante com o sofrimento humano concreto. Sua mensagem não se limitava a preservar estruturas sociais, buscava restaurar vidas, curar pessoas através da fé. Dessa perspectiva, seria difícil imaginar que a simples manutenção de um vínculo formal pudesse ser considerada mais importante do que a integridade física, emocional e espiritual de uma pessoa. Um casamento pode ser uma expressão de amor, mas, quando se transforma em espaço de violência, humilhação, submissão ou destruição mútua, sua permanência deixa de corresponder ao espírito do amor que lhe deu origem.
Nietzsche, por outro lado, oferece uma crítica ainda mais radical. Para ele, muitas instituições humanas sobrevivem porque cultivam o medo. O medo da punição, da exclusão, da culpa ou da condenação torna-se um mecanismo de obediência. Em sua análise, a moralidade frequentemente deixa de ser uma expressão autêntica da vida e se converte em submissão à autoridade. Quando uma pessoa permanece em uma situação infeliz apenas porque teme uma sanção religiosa, Nietzsche diria que ela não está agindo por convicção, mas por temor.
Sua filosofia convida o indivíduo a assumir a responsabilidade por sua própria existência. Isso não significa agir de forma egoísta ou desprezar os outros. Significa reconhecer que nenhuma autoridade externa pode viver a vida em nosso lugar. A autenticidade exige coragem para enfrentar escolhas difíceis e aceitar suas consequências.
Curiosamente, apesar das profundas diferenças entre Jesus e Nietzsche, existe um ponto de encontro inesperado entre eles. Os dois criticam a hipocrisia. Os dois rejeitam uma religiosidade baseada apenas na aparência. Os dois denunciam sistemas que sufocam a verdade interior das pessoas. Enquanto Jesus, fala da libertação pela verdade, Nietzsche fala da libertação pela afirmação da própria vida. Os caminhos são distintos, mas ambos se opõem à submissão cega ao medo.
Por isso, a afirmação de que alguém não pode se separar porque será excomungado soa arcaica não apenas por pertencer a uma visão antiga da sociedade, mas porque reduz uma questão profundamente humana a uma ameaça disciplinar. Ela substitui a reflexão pela intimidação. Substitui a consciência pela obediência automática.
A verdadeira questão não deveria ser: “O que acontecerá se eu desobedecer uma autoridade?”. A pergunta mais profunda é: “O que é justo, verdadeiro e digno diante da minha consciência, de Deus e da minha própria humanidade?”. “O que é justo para mim, nesse momento?”
Nenhuma instituição pode responder integralmente por outra pessoa. A responsabilidade final pela vida permanece sempre com quem a vive.
Talvez a maturidade espiritual comece justamente quando o medo deixar de ser o fundamento das escolhas. Afinal, uma fé baseada apenas no temor e no medo das consequências, produz submissão. Uma fé baseada naquela fé raciocinada e questionável, produz liberdade. E nenhuma liberdade autêntica floresce onde a consciência é silenciada.
Então, tomem cuidado… existem lugares por aí que ao invés de libertar pessoas, estão aprisionando-as em normas rígidas e em cárceres. Questionar ainda é preciso… Na minha cabeça, a religião sempre deve acolher, amparar e não julgar, segregar ou excluir, deliberar ou impor normas sem fundamento nenhum. E pela décima vez, a psicologia é laica… eu que estou aqui, expondo a minha opinião.
E antes que me perguntem: qual é a sua religião? Eu sou espiritualista/universalista. Acredito em Deus, acredito no amor, acredito na fé, acredito na reencarnação e na vida após a morte. Acredito em Jesus, Guias, Guardiões, Mentores, Anjos, Arcanjos, Mestres Ascensionados, Orixás, Seres Estelares… etc. Gosto muito do espiritismo de Allan Kardec, do Budismo, do Hinduísmo, da Grande Fraternidade Branca, dos Arcturianos, dos Bancos Ascencionais, enfim. Acredito que o inferno ou o paraíso, estão dentro de cada um. Eu vou pegando um pouco de cada uma que eu já li a respeito e estudei um pouco; e vou me aperfeiçoando naquilo que eu acho sensato para mim. Sem fanatismo. Cheguei naquela conclusão que apesar de algumas diferenças, todas se convertem ao mesmo caminho… o caminho do Amor. Então, fique com aquela que te torne uma pessoa melhor, mais forte, feliz, sem preconceitos e te torne uma pessoa mais sensata e humana. Esse é o meu crivo. Assim sendo, essa vai ser a sua melhor “religião”. Cada um deve ser LIVRE para escolher o que é melhor para si. Se me convidarem para ir em qualquer lugar, eu vou… com a cabeça “aberta”. A chave é ter discernimento, parcimônia e bom-senso… sempre.



























