Boa tarde meus amores! Sabe, a princípio eu achei um filme que não iria me interessar, mas comecei assistir e fui percebendo que ele é cheio de significado. Lembrei até de Nietzsche… Sabe aquela frase famosa atribuída a ele? “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.”
Esse filme fala bem isso… E muitos vão querer indagar, mas que música é essa afinal? A nossa música interna, aquela que pulsa dentro de nós com verdade, coragem e autenticidade. É essa música que todos querem, mas nem todos tem a capacidade de realizar, porque às vezes falta coragem, maturidade, autonomia emocional, e muitas vezes tomada de decisão e consciência. Às vezes a pessoa está tão enraizada em crenças que limitam, em preconceitos, em normas e regras distorcidas, em pensamentos negativos que nem foi ela quem criou, mas regras impostas pelo mundo, cultura, religião, família, enfim. E Einar (personagem do filme), vem e quebra todas essas regras, muda esses paradigmas dentro dele, para assumir a sua homossexualidade, assumir a sua verdade. Ele casou, teve um filho, e não aguentou a vida “falsa” que levava, tendo que usar máscaras e assumir uma persona que nunca existiu de fato para satisfazer a necessidade dos outros. Pois lá dentro dele, pulsava o amor pelo mesmo sexo, pulsava à liberdade de escolha, pulsava a sua vontade de viver uma outra vida. Ele tentou se adequar aos valores tradicionais para satisfazer as expectativas dos outros, mas ele percebeu que indo nessa direção, indo na mesma direção do “rebanho”, ele estava “morrendo aos poucos”, a conta-gotas, então, ele escolhe pagar o alto preço e assumir quem ele verdadeiramente é, assumir sua essência. E quantos, que não tem essa coragem!
Imagine uma pessoa dançando sozinha. Para ela, existe música. Existe ritmo. Existe uma emoção conduzindo cada movimento dela na vida. Sua dança tem sentido porque ela ouve algo que os outros não ouvem. Mas quem está de fora vê apenas alguém se movimentando aparentemente sem motivo. E então julga: Que pessoa estranha. O que ela está fazendo? Deve estar louca.
O problema não está necessariamente na dança. Está no fato de que quem observa não conhece a música. E essa música pode representar tantas coisas: uma dor que ninguém conheceu; um amor que ninguém viveu; um sonho que ninguém consegue compreender; uma escolha que não faz sentido para os outros; uma coragem que parece loucura; uma transformação interior que ninguém viu acontecer, enfim. Tantas coisas…
Muitas vezes julgamos a vida das pessoas apenas olhando seus movimentos, sem conhecer a música que as fez dançar. E existe uma reflexão ainda mais profunda... Nós também somos, alternadamente, os que dançam e os que observam. Em alguns momentos da vida, fomos julgados porque tomamos decisões que ninguém entendeu. Mudamos de caminho. Terminamos uma relação. Recomeçamos. Perdoamos alguém que todos condenariam. Amamos alguém que ninguém entenderia. Desistimos de algo que parecia perfeito. Ou continuamos acreditando quando todos já teriam desistido. E as pessoas perguntam: Mas por quê? Porque existem músicas que só podem ser ouvidas por quem está vivendo aquela história. Mas, em outros momentos, ou contextos, somos nós que olhamos para alguém e pensamos: Eu jamais faria isso.
Talvez não faríamos mesmo. Porque não estamos ouvindo a música dela. E talvez seja esse o convite mais profundo da frase: ter cuidado antes de chamar de loucura aquilo que simplesmente não conseguimos compreender ou desconhecemos. Nem toda dança que parece estranha é ausência de sentido. Às vezes, existe apenas uma música tocando em uma frequência que não alcançamos.
E, para mim, há uma última reflexão ainda mais bonita: Talvez amadurecer seja aprender que nem toda dança precisa ser compreendida, mas precisa ser respeitada. Às vezes, não precisamos ouvir a música do outro. Precisamos apenas respeitar, aceitando que ela existe.
E o mais importante aqui… A sua história não precisa fazer sentido para os outros, contanto que ela faça sentido para você, apenas para você. E, se em algum momento, você se sentir sozinho por estar seguindo um caminho que ninguém compreende, lembre-se: talvez você não esteja perdido. Talvez esteja apenas caminhando por um lugar onde ainda não há muitas pessoas. Continue. Mas continue também com gentileza consigo mesmo. Nem todos os dias teremos vontade de dançar. Em alguns dias, a música será baixa. Em outros, parecerá que ela parou completamente. E isso, também faz parte. Descanse quando for preciso. Chore quando o coração pedir. Recomece quantas vezes forem necessárias. A música não desaparece porque houve silêncio. Às vezes, o silêncio é apenas o intervalo entre uma canção e outra. E talvez, quando olharmos para trás, descubramos que muitos dos momentos em que pensamos estar completamente perdidos eram, na verdade, aqueles em que estávamos aprendendo uma nova maneira de dançar. Uma nova versão de nós mesmos.
Então, dance. Dance quando estiver feliz. Dance quando tiver coragem. Dance quando decidir recomeçar. Dance mesmo quando algumas pessoas não entenderem. E, principalmente, não entregue a ninguém o poder de decidir se a música que toca dentro de você é bonita, verdadeira ou suficiente. Porque, no fim, haverá sempre quem não escute. Mas haverá também quem reconheça a melodia. E, até que essas pessoas cheguem, que você nunca abandone a sua própria música. 🫶🏻
Parece papo de louco, né? É porque… talvez, você ainda não acessou a sua “música”.
Bjs, vou ficando por aqui. 😉

