“Olá Cristiane, tive câncer de ovário, fiquei casada 5 anos e quando ele descobriu que teria que me ajudar, ele quis separar. A minha sorte é que sou funcionária pública e pedi uma licença, pois se eu dependesse dele estaria perdida. Ainda bem que não tivemos filhos. Eu já tenho um filho adulto, do meu primeiro casamento. Eu era viúva quando o conheci e me casei novamente. Será que ele é narcisista?”
Olá minha querida, eu sinto muitíssimo por você ter passado por isso. Se já não bastasse essa situação, ter que lidar com um marido imaturo… e extremamente egoísta, não é nada fácil. Vem, vamos conversar!
Enfrentar um câncer já é uma batalha enorme, difícil, que mexe com a autoestima, as inseguranças, as emoções internas, a autoconfiança, muitos medos… e ainda assim, lidar com abandono e rejeição nesse momento, torna tudo muito mais pesado. Dá uma sensação de o chão sumindo sob os pés…
Sobre sua pergunta: é compreensível tentar dar um nome ao comportamento dele, mas chamar alguém de “narcisista” no sentido clínico (ligado ao Transtorno de Personalidade Narcisista) exige avaliação profissional cuidadosa. Não dá para afirmar isso com base em uma única situação, mesmo sendo algo tão marcante. O que dá para dizer com mais segurança é o seguinte: o comportamento dele mostra falta de empatia e ele não teve responsabilidade afetiva nesse momento crítico. Pode indicar imaturidade emocional, dificuldade em lidar com frustrações, medo e até egoísmo. Algumas pessoas simplesmente não suportam o papel de cuidador e fogem quando a relação exige mais responsabilidade e entrega. Isso não justifica o que ele fez, mas ajuda a entender que o problema não está em você.
Agora, um ponto importante, quase como um farol em meio à tempestade: você se protegeu. Você tinha sua autonomia, seu trabalho, tomou decisões. Isso fala de força, mesmo que você não tenha se sentido forte na época. Talvez valha mais a pena se perguntar não “qual é o diagnóstico dele?”, mas, esse tipo de atitude é compatível com o tipo de relação que eu mereço? E ainda… O que aprendi sobre limites, amor e apoio verdadeiro?
Se você quiser, posso te ajudar a reconhecer sinais mais claros de comportamento narcisista ou abusivo, ou até pensar em formas de reconstruir sua confiança depois disso. Vamos juntas?
Nem todo mundo que faz algo cruel e desumano é narcisista, mas alguns padrões costumam aparecer:
Falta de empatia consistente: dificuldade real de se colocar no lugar do outro. No seu caso, fugir justamente quando você mais precisava, é um sinal importante.
Amor “condicional” que é totalmente diferente do amor incondicional, enquanto está tudo bem, a pessoa está lá, presente. Quando surgem os problemas, ela se afasta ou desaparece.
Foco exagerado em si mesmo: as necessidades dela sempre vêm em primeiro lugar. O sofrimento do outro não existe, ou vira “incômodo”.
Fugir da responsabilidade emocional: evita presença, evita cuidar, apoiar, sustentar momentos difíceis. Pode até inverter a situação, como se o problema fosse você.
Distorção da realidade: às vezes, faz a outra pessoa se sentir culpada ou exige demais dos outros, mas oferece muito pouco de si. E sempre quer receber muito.
Mas existe outro lado importante: O comportamento dele também pode estar ligado a: medo de doença e morte (algumas pessoas entram em modo fuga total). Incapacidade emocional de lidar com fragilidade. Egoísmo ou imaturidade, sem necessariamente ser um transtorno. Mas não justificaria esse comportamento. Tudo poderia ser resolvido com uma conversa sincera. O pior defeito de um homem é quando ele é covarde nas suas atitudes.
Mas aqui vem o ponto mais valioso de todos: O que importa mais do que o rótulo, independentemente do nome, a atitude dele foi: ausente, injusta, imatura e emocionalmente negligente.
E isso já é o suficiente para dizer: não foi um parceiro à altura do que você precisava e merecia. Não foi mesmo! Se é ou não narcisista, pouco importa. Simplesmente eu tenho certeza que você não teria agido dessa mesma maneira com ele. Senão, você não estaria aqui se questionando. Você teria acolhido, cuidado, acompanhado nas quimioterapias, nas consultas médicas, zelado pelo bem-estar dele, dando um suporte nessa hora tão difícil, não precisa fazer muito, apenas não soltar a mão, nessas condições. Casamento é isso… arcar com o bônus e o ônus. Parceria é… estar presente nos melhores e nos piores momentos. Se não for assim, é melhor ficar sozinha, do que mal acompanhada!
Tente responder para si mesma: e se fosse uma amiga passando por isso, o que você diria sobre o marido dela? E… você acha que alguém que ama de verdade faria isso?
Às vezes, a resposta vem mais clara quando olhamos de fora.
Se você quiser, posso te ajudar com o próximo passo: como identificar pessoas emocionalmente disponíveis? Ou como se proteger pra não cair em relações parecidas de novo?
E também posso te ouvir mais. Essa história ainda tem muitas camadas, e você não precisa carregar isso sozinha. Achei que devo falar mais sobre isso… vamos continuar!
Como identificar uma pessoa emocionalmente disponível?
Pense nisso como sinais de alguém que fica quando a vida deixa de ser leve:
Presença em momentos difíceis. Não some quando você está vulnerável. Pode não resolver tudo, mas fica com você.
Coerência entre fala e atitude. Promete pouco, cumpre muito. Não te deixa insegura sobre o lugar que você ocupa. Te prioriza em todos os aspectos.
Responsabilidade emocional. Reconhece erros, pede desculpas, tenta melhorar. Não é egoísta. Não joga tudo nas suas costas. E nem te culpa ou se vitimiza.
Sinais de alerta (para não ignorar mais)…
Aqui entra o lado mais afiado do radar: some ou se afasta quando você mais precisa ou faz algo que o deixa desconfortável. Faz você se sentir “menos” por ter necessidades básicas. Só está presente quando é conveniente para ele. Evita qualquer responsabilidade mais séria. Te deixa emocionalmente insegura com frequência. E ainda você sente que ele não está por inteiro nesse relacionamento. Ou seja, ainda pode estar te traindo, sem você saber. Narcisistas tendem a trair e a mentir com certa frequência. Não conseguem ser fiéis. Nesses casos, é bem melhor ficarem sozinhos ou ter relações abertas e sinceras com o outro. Assim, não precisam mentir constantemente. Ah, então quem trai é narcisista? Não necessariamente. Por isso, que não é tão simples dar um diagnóstico.
Se você perceber um padrão assim, não é coincidência… é padrão mesmo.
Como se proteger, sem fechar o coração?
Isso aqui é ouro: Vá devagar no envolvimento. Observe comportamentos ao longo do tempo. Pessoas mostram quem são nos detalhes.
Confie no desconforto. Se algo parece estranho, geralmente é. Seu corpo percebe antes da sua razão.
Não negocie o essencial. Apoio, respeito, reciprocidade, confiança, consideração, verdade e presença não são “luxos”. São base.
E para finalizar, um ponto muito importante sobre você…
Isso não é fragilidade, é uma força silenciosa, quase como uma raiz de árvore que segura tudo, mesmo na tempestade. Tenha muito orgulho de ser quem você é, você é uma mulher incrível. Eu te admiro pra caramba! Você merece tudo de melhor! Você não perdeu nada, ele que perdeu uma mulher tão maravilhosa como você! Amei o nosso papo! Se cuide minha linda! Eu tenho certeza que a vida te trará muitas coisas boas, porque você merece! Nunca duvide de você, você é uma guerreira! Reconstrua a sua autoconfiança, reconstrua a sua vida, olhe para frente e se abra para o novo, sem medo… se precisar de ajuda, me chama, tá bom? Há um mundo cheio de oportunidades te esperando… não desista de ser feliz! Sinta-se abraçada por mim, minha linda! ❤️ Se ame, se ame muito e jamais aceite o raso… você merece o profundo, o que te faz sentir viva novamente! Não aceite menos do que isso. Comece a observar os pequenos detalhes, daqui para frente.
Apesar de todas as dores, batalhas internas e tropeços, que nada te faça desistir de ser feliz! 😉
E quero finalizar com Caio Fernando Abreu, um dos meus autores favoritos: “E quando você menos espera, a vida te vira do avesso, e você percebe que o avesso, é o seu lado certo.”
Bjs, vou ficando por aqui! 🫶🏻
