Curar a criança interior, significa reconhecer e cuidar das partes emocionais de você que foram moldadas na infância, especialmente as que aprenderam sobre ter medo, vergonha, abandono, hipervigilância ou necessidade excessiva de agradar aos outros. Não é apagar o passado, é mudar a relação com ele.
Alguns caminhos que costumam ajudar:
Identificar os padrões. Observe situações que provocam reações muito intensas: medo de rejeição, necessidade de aprovação, dificuldade de confiar, sensação constante de não ser suficiente, explosões emocionais ou bloqueio afetivo. Muitas vezes, essas reações não pertencem apenas ao presente, elas ecoam experiências antigas.
Dar linguagem ao que foi sentido. A criança interior costuma aparecer mais em emoções do que em lembranças claras. Perguntas úteis:
“O que eu precisava ouvir naquela época?”
“O que eu aprendi sobre mim por causa disso?”
“Que parte de mim ainda está tentando se proteger?”
Escrever ou pensar sobre isso ajuda bastante.
Desenvolver autocompaixão. Muita gente trata a si mesma com uma dureza que jamais usaria com uma criança real. Um exercício simples: imagine você criança diante de você;
observe a expressão, postura, seus medos, pergunte: “Do que você precisa?” responda como um adulto seguro responderia.
Isso pode parecer simbólico, mas ajuda o cérebro a construir novas associações emocionais.
Diferenciar passado e presente. Uma parte importante da cura é perceber: “Hoje eu tenho recursos que não tinha naquela época.”
Seu sistema emocional pode continuar reagindo como se ainda estivesse preso a antigas ameaças. Práticas de grounding, respiração, terapia, meditação e relações seguras ajudam o corpo a aprender que o perigo passou.
Permitir emoções sem julgamento. A criança interior geralmente carrega tristeza, raiva, vergonha ou carências reprimidas. Curar não é “virar positivo”, é conseguir sentir essas emoções sem se abandonar.
Construir experiências novas. A cura também acontece no cotidiano como:
estabelecer limites, escolher relações mais saudáveis,
descansar sem culpa, brincar, criar, dançar, aprender a pedir ajuda, permitir prazer e leveza na sua vida e priorizar-se. Se algo não vai bem, tente resolver isso com calma e conversa clara. Nunca se sobrecarregue ou se desgaste emocionalmente por alguém. Em todos os relacionamentos da sua vida precisa haver equilíbrio.
A criança interior não precisa apenas de análise, ela precisa de experiências corretivas. Terapia ou autoconhecimento podem acelerar esse processo. Podem ajudar bastante, especialmente quando existem traumas emocionais mais profundos.
E um ponto importante: “você vive a sua vida ou você vive conforme as expectativas dos outros? Porque se você estiver vivendo na expectativa alheia e deixando-se de lado, sinto lhe informar, mas você está indo contra seu Eu Essencial. E ir contra o Eu Essencial geram frustrações e sofrimentos. Curando-se a sua criança interior também se cura, olhe para as suas necessidades e veja o que pode ser feito. Curar a criança interior não significa viver preso à infância. Significa parar de deixar feridas antigas dirigirem silenciosamente a sua vida adulta.
E para finalizar, muitos podem perguntar: “como eu sei se minha criança interior está bem ou saudável?” Bom, nesse caso, você precisa observar a sua vida em todos os aspectos e sentir se tem alegria, espontaneidade, vitalidade, autenticidade, criatividade, entusiasmo. É parte real da nossa essência sermos quem verdadeiramente somos. Veja bem: “Você é natural, espontâneo por natureza, isso já é… isso é o seu modo de ser, ou você está anulando partes de si para agradar aos outros?” Se vivemos numa incoerência com a nossa essência, o nosso Eu Essencial, é porque o sofrimento está moldando a nossa vida desde muito tempo, sem tomarmos consciência.
Vou dar um exemplo banal para vocês entenderem: Quando eu era criança com uns 6 anos, eu tive que mudar de colégio, porque eu ia regressar no Ensino Fundamental I, que antigamente chamava-se Primário. Para quem não sabe, eu já fui para a escolinha bem cedo, bebê ainda e adorava também esse colégio que tive que sair. Pois bem, não me adaptei naquele outro colégio, pois era bem diferente do que eu estava acostumada e sofri muito. Eu lembro que ir para aquele colégio era uma tortura, eu chorava todos os dias, de boa aluna, virei péssima aluna, comecei a regredir no meu desenvolvimento. Eu detestava aquele colégio, mas tinha que ir. A gota d’água foi quando a professora disse para a minha mãe: “ela socializa muito pouco, não consegue acompanhar a classe e talvez repita de ano”. Ainda bem que a minha mãe me mudou novamente de colégio, depois de 7 meses de sofrimento. O colégio em si era ruim? Claro que não, pelo contrário, um dos melhores da cidade, mas a adaptação é individual, depende da maturação de cada um. Quando mudei de lá, virei outra criança, adorava… ia para a escola cantando, me tornei uma boa aluna novamente, conversava com todo mundo, deixei de me isolar, interagia com facilidade, fazia amizades e a alegria voltou a reinar nos meus dias. Minhas notas melhoraram muito e passei de ano direto. Eu amava aquela escola, me sentia em casa. Adorava todos os professores, o inspetor de alunos também, enfim. Nossa, como fui feliz ali. 🥰 Então, quem acha que o ambiente que você está inserido não importa, está redondamente enganado, importa e muito para a sua vida avançar, evoluir, ou estagnar e regredir. Às vezes, você só está no meio errado e ainda não tem essa consciência. Outras vezes, você está dentro de uma torre imaginária, sentindo-se aprisionado, mas preciso te dizer, as portas dessa torre estão completamente abertas, e você não vê por estar preso em crenças que te limitam. Portanto, analise todos os âmbitos de sua vida. Lá, na minha infância eu estava no lugar errado, mas finalmente descobri o lugar onde eu podia ser quem eu era realmente, mostrando e desenvolvendo a minha “excelência”. Se eu tivesse continuado “à força” naquele colégio, que eu não gostava, isso iria impactar negativamente a minha vida, além da minha saúde física, mental e emocional. Saúde mental também é liberdade de escolhas. E escolha o que te deixa mais feliz e melhor. Pense nisso!
A cura não é uma linha reta. Vai ter dias de sol, mas também dias de tempestades internas, então, respire fundo e respeite o seu processo. Às vezes parece que avançamos dez passos, depois retrocedemos três, isso é normal, mesmo assim, não desista de si.
Vou ficando por aqui. ❤️ Bjs
