Esses dias, ouvi de uma amiga uma frase que ficou ecoando dentro de mim: “Você é uma muralha de renovação.” Confesso que me senti lisonjeada e até ri. Há algo de bonito e poderoso em ser vista dessa maneira, como alguém que consegue se reconstruir, recomeçar e transformar aquilo que parecia ser o fim em uma nova possibilidade. Mas, ao mesmo tempo, pensei: se ela soubesse quantas vezes precisei juntar os meus próprios pedaços para chegar até aqui...
Nem sempre fui uma muralha.
Houve momentos em que também fui fragilidade, dúvida, medo, tristeza e cansaço. Houve dias em que as mudanças chegaram sem pedir licença e eu não sabia muito bem o que fazer e como enfrentá-las. Algumas perdas doeram profundamente na minha alma. Algumas decepções deixaram marcas profundas. E certos recomeços não aconteceram porque eu estava pronta, mas porque a vida simplesmente não me deu a opção de permanecer no mesmo lugar. Foram inevitáveis… bem aquilo… em frente ou enfrente!
Foi assim que aprendi que renovação não significa nunca cair. Significa não fazer da queda uma morada.
Aos poucos, fui descobrindo uma força que eu mesma desconhecia. Aprendi que podemos atravessar tempestades sem perder completamente a capacidade de enxergar o céu. Que algumas portas precisam se fechar para que outras possam ser alcançadas. E que, muitas vezes, aquilo que julgamos ser uma destruição é apenas a vida retirando de nós o que já não combina com quem estamos nos tornando.
Talvez seja isso que minha amiga tenha enxergado em mim: não uma pessoa que nunca sofreu, mas alguém que aprendeu a não permanecer prisioneira do sofrimento. Uma pessoa que, mesmo depois de dias difíceis, procura novamente a luz. Que se permite mudar de opinião, de direção, de sonhos e até de versão. Porque permanecer fiel a quem fomos não pode significar trair quem estamos nos tornando.
Hoje, quando penso na expressão “muralha de renovação”, gosto de imaginar que essa muralha não foi construída para impedir a vida de entrar. Pelo contrário. Ela foi erguida com tudo aquilo que vivi: experiências, perdas, aprendizados, recomeços, erros, acertos e, principalmente, coragem. Cada pedra representa uma fase que me ensinou alguma coisa.
E talvez a maior beleza esteja justamente nisso: perceber que a força que os outros enxergam em nós quase nunca nasceu nos dias fáceis. Ela foi construída silenciosamente nos dias em que ninguém viu o esforço que fizemos para continuar.
Por isso, recebo essa frase com carinho. Ser chamada de “muralha de renovação” não significa que eu seja indestrutível. Significa que, apesar de tudo, continuo escolhendo a vida, o movimento e a transformação.
Porque hoje eu sei: renovar-se é uma forma de coragem. Recomeçar é uma forma de esperança. E reconstruir-se, depois de tudo, é uma das mais bonitas maneiras de dizer a si mesma: ainda há muito por viver e ser feliz.
Eu disse para a minha amiga: “se você me vê como uma muralha de renovação, saiba que essa muralha não está em mim, está em ti… só vemos no outro aquilo que somos. Quem ama vê o amor, quem mente… vê a mentira no outro, quem trai, acha que o outro está traindo também… quem é luz, enxerga somente a luz no outro, quem é sincero e verdadeiro enxerga a verdade… e assim por diante. Essa muralha de renovação que você vê em mim, saiba que está em você minha querida amiga! Você que é essa muralha de renovação. Todos os nossos relacionamentos nada mais são do que espelhos. Aquilo que eu enxergo no outro, está em mim. Nunca se esqueça disso. A vida é sempre um reflexo daquilo que somos e pensamos.
E minha amiga continuou: “sabe Cris, conversando contigo sobre isso, agora entendi, porque me decepcionei tanto com algumas pessoas… porque eu fui transparente e o outro não foi comigo, eu fui sincera, verdadeira, mergulhei de cabeça… e quando percebi estava dentro de um barco que remava sozinha, se afundando… fui traída e tratada com desdém.
Eu disse para a minha amiga: “Meu amor, você foi você… você deu o que tinha no seu coração e o outro deu o que tinha para dar. Não se culpe por isso!
Eu não me culpo Cris! Mas o outro vivia me culpando por coisas que eu nunca fiz na minha vida!
Isso é projeção! Tudo o que o outro faz ou é, vai projetar em você. Se ele trai, vai achar que você está traindo, se mente para você, vai imaginar que você está mentindo também, se faz coisas escusas por aí… vai achar que você também faz! Entende agora que se relacionar com alguém não é fácil? Observar essas nuances é fundamental, muitas das vezes, pode ser projeção e se não for projeção, pode ser um trauma. Ninguém disse que seria fácil, mas jamais se submeta a isso. Nunca! Priorize-se! Onde não há confiança mútua, respeito e amor, retire-se! É impossível ter paz e ser feliz em relacionamentos desequilibrados, onde não há reciprocidade e afeto sincero. Seja você mesma sempre, mas analise bem quem está ao seu lado e se vale a pena seguirem e compartilhar uma vida juntos. Ninguém precisa ser extraordinário, mas é necessário que seja no mínimo verdadeiro e ambos tenham paz dentro do relacionamento. Sem isso, é impossível ser feliz.
E para finalizar, eu disse para a minha amiga: “A alma não tem segredo que o comportamento não revele.” (Lao-Tsé)
Gosto tanto dessa frase que carrego ela comigo.
O que você enxerga nos outros? Luz ou sombra? Tudo está dentro de você. O outro é somente o seu espelho. Pense nisso!
Olha que frase mais linda de Osho… 👇
“Se você se amar, vai amar os outros. Se você se odiar, vai odiar os outros. Por que o seu relacionamento com os outros é apenas um espelho de como você se relaciona com você mesmo.”
😉😘 Beijos, vou ficando por aqui! 🫶🏻
