Boa tarde meus lindos! ❤️
Ela me pediu para eu não falar detalhes da sua história, mas pediu para eu publicar uma das perguntas dela; e que ela quer sempre reler para não esquecer. Preparados? Vem… 😉
Hoje me perguntaram: “Cris, por que é tão difícil deixar ir? Porque é tão difícil abrir mão de algo ou alguém de anos, de muitos anos? Não poderia ser mais fácil? Ou sou eu que complico as coisas?”
Não meu amor, deixar ir, desapegar é uma das dores mais profundas e difíceis de lidar. Quero te dizer que você não está complicando nada, são processos difíceis mesmo e cada um vai enfrentar de uma maneira distinta. Posso colocar quatro pessoas numa mesma sala de terapia e todas elas passando pelo mesmo problema e cada uma vai sentir, reagir e processar ou interpretar a situação de uma maneira bem diferente. Vem comigo… 🫶🏻
Abrir mão, não significa apenas deixar uma pessoa ir. Muitas vezes significa abrir mão de uma história que, dentro de nós, ainda parece ter alguma coisa para acontecer.
É difícil deixar ir quando houve sentimento verdadeiro. O coração não mede o tempo da mesma forma que o calendário. Quando ficou algo inacabado. Às vezes, não sentimos falta apenas da pessoa, mas da conversa que nunca aconteceu, da explicação que nunca veio, do “e se...” que ficou suspenso. Quando aquela pessoa despertou uma versão nossa que marcou profundamente. E sentimos saudade não só dela, mas de quem éramos quando estávamos perto dela. E muitas vezes, a memória preserva o que foi bonito e o que foi sentido quando estávamos com ela. Com o passar dos anos, a mente pode guardar determinados momentos como uma espécie de luz própria. E soltar parece uma segunda despedida. Como se aceitar que acabou fosse declarar que aquilo não teve importância. Mas não é assim.
E existe uma coisa especialmente difícil: podemos seguir a vida e, ainda assim, carregar alguém dentro dela. Isso não significa necessariamente que deveríamos voltar, nem que aquela pessoa é destinada a nós. Significa apenas que algumas experiências deixam marcas que não desaparecem só porque o tempo passou. Talvez o verdadeiro “deixar ir” não seja esquecer. Talvez seja chegar ao ponto de conseguir perdoar e não resistir, conseguir ter uma conversa saudável consigo mesma e dizer com sinceridade:
Vou deixar aqui um exemplo:
“Eu reconheço o que você significou para mim. Foi intenso, foi forte, foi verdadeiro. Eu honro o que vivi com você. Eu não sei se você sentiu a mesma coisa, mas… eu agradeço, do fundo do meu coração eu agradeço, mesmo não sendo como eu gostaria ou imaginava, eu aprendi muitas coisas com você. Você me fez enxergar um lado meu que eu não conhecia, só consegui acessá-lo quando você foi embora. De força, coragem, esperança, autotransformação e fé. Eu sinto saudade de você, mas eu não espero mais que o passado se transforme em futuro. Eu deixo você ir… quero que você seja muito feliz… eu agradeço ter te encontrado ou reencontrado. Eu preciso seguir o meu caminho e você precisa seguir o seu… em paz!”
Abra o seu coração. Converse com você, tente entender o que você sente e deixe ir…
Porque há uma diferença enorme entre amar uma lembrança e ficar presa a ela. Você pode continuar amando, mas você não precisa ficar presa. Liberte-se! Amor não é prisão, amar é voo, quem é também pai ou mãe de alguém, sabe que o verdadeiro amor jamais é prender, é soltar…
Mas voltando…
E, às vezes, abrir mão não é deixar de amar. É finalmente parar de pedir ao passado que nos dê aquilo que ele já não pode nos dar mais.
Não gosto de deixar ninguém perdido… vamos aprofundar mais nisso… vem! 😉
Talvez a parte mais difícil seja esta: você não precisa deixar de sentir para conseguir seguir em frente. Porque muita gente, tenta apagar, resistir, negar e reprimir ou relutar… contra um sentimento, e o caminho não é esse. O caminho é deixar o sentimento vir e integrá-lo… Aceitá-lo. Eu vivo falando isso aqui para vocês sobre Jung… e ele tem uma frase que é aquela virada de chave: “tudo aquilo que você resiste, persiste.”
Então… sinta tudo, chore se precisar. Aceite-se! Deixe os sentimentos aflorarem.
Quando alguém foi realmente importante, e você negar ou tentar arrancar esse sentimento pela força, costuma produzir um efeito contrário. Quanto mais pensamos “preciso esquecer”, mais a mente volta àquela pessoa. É como tentar não pensar em uma música, e justamente o refrão começa a tocar dentro da cabeça como um disco riscado.
Primeiro: pare de brigar com o sentimento. Você pode reconhecer: “Eu ainda sinto saudade.” Sem transformar isso imediatamente em: “Então eu deveria procurar essa pessoa.” Porque uma coisa não implica a outra.
Segundo: tente descobrir exatamente do que você sente falta. Essa pergunta é poderosa: “Eu sinto falta da pessoa que ela é hoje ou da pessoa que ela foi na minha vida?” Porque são coisas muito diferentes.
Às vezes pensamos que estamos com saudade de alguém, quando estamos com saudade de uma versão de nós mesmas que existia naquela época. Éramos completamente diferentes do que somos hoje… mais autênticos, mais emocionais, mais extrovertidos, mais espontâneos, mais despojados, mais felizes, mais inocentes… enfim.
E isso muda bastante a maneira de lidar com a saudade.
Terceiro: Não transforme o passado em um lugar perfeito. Esse é um dos grandes perigos. Quando uma história fica distante, a memória tende a selecionar os momentos mais luminosos e deixar os difíceis no fundo da gaveta. Reveja tudo o que te fez ir embora ou desistir.
E, então podemos começar a comparar:
“Naquela época eu sentia aquilo... hoje não sinto mais.”
Mas você está comparando uma experiência real, cheia de imperfeições, com uma memória editada pelo tempo. Pergunte a si mesma: “Se eu conhecesse essa pessoa hoje, exatamente como ela é hoje, eu me apaixonaria por ela novamente?”
Essa pergunta pode trazer muita lucidez.
E existe uma parte ainda mais delicada… Às vezes não queremos necessariamente a pessoa de volta. Queremos o final que não tivemos.
Queremos saber:
Essas perguntas são difíceis porque não possuem respostas garantidas. E o cérebro odeia histórias sem final. Ele continua voltando ao capítulo interrompido tentando escrevê-lo. Só que algumas histórias da nossa vida não recebem o final que gostaríamos. E amadurecer emocionalmente também é aprender a viver com algumas páginas em branco e sem um final feliz. Aqui, é vida real e não um conto de fadas. Então, como enfrentar na prática?
Quando a saudade vier, em vez de fugir dela, faça três perguntas importantes:
Essa terceira pergunta é especialmente a mais importante. Porque talvez aquilo que essa pessoa despertou em você ainda exista dentro de você. E isso é bonito. Você não precisa recuperar aquela história para recuperar aquela parte de si. Não mesmo!
E se você nunca esquecer? Talvez você não precise. Existem pessoas que deixam de ser uma presença e passam a ser uma lembrança. A lembrança permanece, mas muda de lugar. No começo ela ocupa uma sala inteira. Depois, um canto. Um dia, você se lembra e sente uma pontada. Mais tarde, lembra e apenas sorri. Não porque deixou de ter significado. Mas porque o significado deixou de doer. E quando para de doer é porque você superou. E acho que esse é um dos sentidos mais profundos de “deixar ir”.
Não é dizer:
“Você nunca significou nada.”
É conseguir dizer:
“Você significou tudo… e muito. E justamente por isso eu não preciso transformar aquilo que vivemos em uma prisão para o resto da minha vida.”
E talvez exista uma pergunta ainda mais profunda para você fazer a si mesma:
“Se eu pudesse reencontrar essa pessoa amanhã, o que eu realmente gostaria de receber dela: amor, uma explicação, um pedido de desculpas, a confirmação de que ela também nunca me esqueceu, ou simplesmente a oportunidade de viver aquilo que ficou interrompido?”
Essa resposta pode revelar o que você está realmente tentando deixar ir. Pense nisso!
Ao mesmo tempo que eu estava respondendo essa pergunta, me veio essa música na cabeça… 🎶 “Tô com saudade de tu meu desejo, tô com saudade do beijo e do mel, do teu olhar carinhoso, do teu abraço gostoso, de passear no teu céu…” 🎶
Eu não sei vocês, mas eu adoro essa música e como ela veio nos meus pensamentos, quando eu estava escrevendo, decidi deixá-la registrada aqui. Eu também sou movida pelas músicas, elas me inspiram muito.
Gratidão minha linda, eu aprendo bastante com vocês também que me escrevem. Adorei nosso papo e a sua história de vida. Se cuida! Você vai superar, tenha fé! 💓
Beijos, vou ficando por aqui! ❤️ Um lindo dia para vocês!
