Olá meus amores! Boa tarde! Tudo bem com vocês? Vamos continuar com o nosso papo sobre a Teoria do Apego? Vem! 😉
Entre os muitos estilos possíveis, o apego ansioso e o apego desorganizado se destacam não apenas por sua intensidade, mas pela forma como revelam feridas emocionais profundas e modos distintos de lidar com o amor, o medo e a proximidade.
O apego ansioso nasce, em geral, de experiências em que o cuidado foi instável. A figura de referência às vezes estava disponível, às vezes não, e a criança aprendeu que o afeto podia desaparecer sem aviso. Como resultado, o amor passa a ser vivido como algo precioso e frágil, sempre à beira da perda. Na vida adulta, isso se traduz em uma busca constante por confirmação emocional. Quem possui apego ansioso tende a amar com urgência: quer proximidade, respostas rápidas, garantias frequentes de que é importante e não será abandonado. O silêncio do outro vira ameaça, a distância é interpretada como rejeição, e pequenas mudanças de comportamento podem provocar ansiedade intensa. Há, nesse estilo, uma hipervigilância emocional, como se o coração estivesse sempre em estado de alerta, tentando prever o abandono antes que ele aconteça.
Já o apego desorganizado é mais paradoxal e, muitas vezes, mais doloroso. Ele surge quando a figura que deveria oferecer proteção também foi fonte de medo, confusão ou ameaça. Nesses casos, o sistema de apego se desenvolve sem uma estratégia coerente: aproximar-se traz conforto, mas também perigo; afastar-se oferece alívio, mas gera solidão. O resultado é um padrão marcado por contradições. A pessoa deseja intimidade, mas a teme. Pode alternar entre comportamentos de forte dependência emocional e atitudes de afastamento abrupto, frieza ou até agressividade. No fundo, há um conflito interno constante: o outro é visto simultaneamente como refúgio e risco.
Enquanto o apego ansioso organiza suas emoções em torno do medo do abandono, o apego desorganizado gira em torno do medo da própria relação. No primeiro, a dor principal está na possibilidade de não ser escolhido; no segundo, está na impossibilidade de confiar plenamente, mesmo desejando isso intensamente. O ansioso tende a se perder no outro, moldando-se para manter o vínculo. O desorganizado, por sua vez, vive relações marcadas por ciclos de aproximação e fuga, como se estivesse sempre dividido entre o impulso de amar e o instinto de se proteger.
Em termos emocionais, o apego ansioso costuma ter acesso claro às próprias emoções, ainda que elas sejam intensas e, por vezes, avassaladoras. Já o desorganizado frequentemente experimenta emoções confusas, difíceis de nomear, misturadas a sentimentos de vergonha, medo e desamparo. Muitas vezes, há um histórico de trauma relacional que faz com que o corpo reaja antes da mente, disparando respostas automáticas de defesa em situações de intimidade.
Resumindo:
Apego Ansioso: nesse estilo de apego, também intensifica as reações emocionais. A alegria da conexão é vivida com euforia, enquanto o afastamento, mesmo pequeno, pode gerar angústia profunda. Há uma hipersensibilidade aos sinais do outro, como se cada gesto carregasse uma mensagem oculta. Não se trata de carência simples, mas de um sistema emocional treinado para detectar abandono antes que ele aconteça, numa tentativa de evitar a dor já conhecida. Apesar do sofrimento que pode causar, o apego ansioso também revela uma grande capacidade de vínculo, empatia e investimento emocional. Essas pessoas costumam amar com profundidade, valorizar a relação e se dedicar intensamente a quem amam. O desafio está em transformar o medo em segurança, aprendendo que o amor não precisa ser constantemente provado para ser real. A segurança emocional não surge da vigilância constante, mas da construção de confiança, inclusive em si mesmo. Assim, o amor deixa de ser vivido como urgência e passa a ser experimentado como presença, continuidade e escolha mútua.
Apego Desorganizado: nesse estilo de apego, não há uma estratégia emocional clara. Aproximar-se do outro traz conforto, mas também ativa lembranças corporais de ameaça. Afastar-se reduz o medo, porém desperta solidão e vazio. O resultado é um movimento pendular: a pessoa busca intimidade, se entrega, e de repente se fecha, se distancia ou reage de forma intensa e aparentemente contraditória. Para quem observa de fora, esse padrão pode parecer confuso. Para quem vive por dentro, ele é exaustivo. Em termos emocionais, o apego desorganizado carrega uma fragmentação interna. Sentimentos opostos surgem ao mesmo tempo e não se integram facilmente. Amor e desconfiança, desejo e repulsa, necessidade e rejeição se misturam. Muitas vezes, há dificuldade em nomear o que se sente, porque as emoções não se organizam em uma narrativa coerente. O corpo reage antes do pensamento, acionando respostas de defesa como congelamento, explosões emocionais ou desligamento afetivo. Nas relações adultas, esse estilo pode se manifestar como medo intenso da intimidade, dificuldade em confiar e padrões relacionais caóticos. A pessoa pode alternar entre idealizar o outro e desvalorizá-lo, entre dependência emocional e isolamento radical. Diferentemente do apego ansioso, que teme o abandono, o apego desorganizado teme a própria relação. O outro é visto simultaneamente como abrigo e ameaça. Por isso, amar ativa tanto esperança quanto pânico. Não se trata de falta de desejo de conexão, mas de um sistema emocional que nunca aprendeu que proximidade pode ser segura de forma consistente.
Apesar das diferenças, ambos os estilos compartilham uma origem comum: a insegurança afetiva, mas isso não é uma sentença definitiva. Com consciência, relações mais seguras e, muitas vezes, apoio terapêutico, é possível ressignificar esses padrões. O apego, afinal, não é apenas uma herança do passado, mas também uma linguagem emocional que pode ser reaprendida. Entender o apego ansioso e o desorganizado não é rotular pessoas, mas iluminar caminhos internos, oferecendo nome ao que antes era apenas dor difusa e abrindo espaço para vínculos mais estáveis, conscientes, equilibrados e gentis. Meu objetivo é sempre passar as informações e fazer com que vocês cresçam internamente e vivenciem relacionamentos mais dignos, saudáveis e satisfatórios. 😉
Bjs meus queridos, vou ficando por aqui.
Ótimo domingo e feliz semana! 🫶🏻
