“Por amor a gente luta, por amor-próprio, às vezes, a gente desiste. Por amor, a gente cede, por amor-próprio, às vezes a gente tem que se colocar em primeiro lugar. Por amor a gente faz planos, por amor-próprio, às vezes, a gente tem que mudar de direção. Por amor a gente tenta ficar junto, por amor-próprio, às vezes, a gente tem que ficar sozinho. As mudanças e atitudes mais doloridas, aquelas que exigem um nível altíssimo de coragem, são as que a gente faz por amor-próprio. Quando a gente precisa se priorizar, abraçar a si mesmo e mudar de rumo, de companhias, de ambiente. Quando a gente percebe que está no lugar errado, recebendo a energia errada, os sentimentos errados. Quando sente falta do que deveria ser básico e habitual. É preciso ouvir o que o amor-próprio tem a dizer. Amor bom é quando amor-próprio e amor pelo outro dançam juntos, um não machuca o outro, não aperta, não sufoca. É quando o coração sabe que nenhuma parte do nosso ser está sendo violada, suprimida, desprezada. Amores que respeitam o amor-próprio sempre duram e fazem bem, caso contrário, o amor-próprio tem o dever de preparar as nossas malas…
Confio naquele ditado antigo: há males que vem para o bem… Quando falo de romances que vivi, mesmo os mais frustrados, sinto paz. Dentro de mim, há a plena certeza que fiz o que estava ao meu alcance, fiz tudo o que meus sentimentos permitiram, dei o melhor que tinha. Sei, que infelizmente, algumas vezes isso tudo não foi suficiente, mas sei também, que esse tipo de coisa, não deve me trazer nenhuma espécie de culpa: não vivo para corresponder ao estereótipo que alguém quer de mim. Olhando para trás, sinto que talvez as coisas pudessem ter se desenrolado de maneiras diferentes. Vejo de forma cristalina os meus equívocos e os equívocos do outro, mas descobri o aprendizado que mora em cada erro. Os erros machucaram, a mim, e as pessoas que se envolveram comigo, mas ensinaram bastante. É preciso uma boa dose de maturidade para perceber isso. Maturidade, também se adquire errando… No fundo, eu nunca perdi nada. Em cada pedaço de desespero, ganhei esperança, em cada vez que achei que era recíproco e não era, ganhei amor-próprio, em cada momento que parecia o fim do mundo, encontrei lindos recomeços. Sempre ganhei alguma coisa.
Parece um discurso otimista demais, e é. Tem me feito bem jogar fora toda espécie de culpa, arrependimentos, “e se…”. Tem me feito bem olhar as coisas com gratidão. Perdoo, me perdoo, agradeço e sigo em frente.
Para todos que me fizeram mal: vocês me fizeram bem.”
Victor Fernandes, do livro: “Pra você que teve um dia ruim”
