Filme: Meu Nome é Agneta (Je m'appelle Agneta), filme sueco de 2026 disponível na Netflix. E eu entendo perfeitamente por que esse filme desperta tantas reflexões. Por trás da aparência leve, divertida e até excêntrica, existe uma pergunta bastante profunda: em que momento uma pessoa pode se perder de si mesma sem perceber?
Agneta tem 49 anos e vive uma existência que, vista de fora, parece perfeitamente normal. Mas, por dentro, ela se sente cada vez mais invisível. Os filhos cresceram, o casamento perdeu calor, o trabalho não lhe traz mais sentido e, pouco a pouco, ela parece ter deixado de ocupar o centro da própria vida.
Então, quando é mandada embora do serviço, acontece uma ruptura, ela cria coragem e aceita um trabalho como au pair em Provença, na França, buscando uma mudança de vida. Só que a experiência toma um rumo inesperado e ela acaba convivendo com Einar, um homem idoso, excêntrico e profundamente livre à sua maneira de ser e sentir à vida. Dessa amizade improvável, nasce a grande transformação de Agneta.
E, para mim, o mais bonito é que o filme não fala simplesmente sobre “largar tudo e começar uma vida nova”. Ele fala sobre algo muito mais delicado, quantas vezes deixamos de ser protagonistas da nossa própria história?
Uma das cenas e ideias mais poderosas do filme gira em torno da identidade de Agneta. Quando ela é levada a olhar para a própria história, surge uma percepção dolorosa, muito daquilo que ela é, passou a ser definido pelas relações que construiu. Ela é esposa. Ela é mãe. Ela é trabalhadora. Ela é alguém que cuida.
Mas...
Quem é Agneta quando tiramos todos esses papéis? O que sobrou dela?
E o filme vai além e sugere algo ainda mais profundo: Às vezes, os outros deixam de nos enxergar porque nós também começamos a nos apagar. Vamos nos adaptando. Engolimos vontades. Adiamos sonhos. Evitamos conflitos. Aceitamos migalhas emocionais. Nos convencemos de que é assim mesmo. Até que a vida continua funcionando perfeitamente... Só nós é que deixamos de estar verdadeiramente presentes nela. Nunca é tarde para sentir mais a vida.
E Einar? Einar representa uma das ideias mais bonitas do filme: a liberdade de ser imperfeito. Einar não aparece como um personagem idealizado. Ele é excêntrico, vulnerável, marcado pela própria história. Mas é justamente essa imperfeição que o torna tão apaixonante e tão especial para Agneta.
Ele parece representar alguém que aprendeu, de alguma maneira, que a vida fica pequena quando tentamos caber permanentemente nas expectativas dos outros.
A amizade entre os dois também é muito bonita porque não nasce de conveniência. Eles não são parecidos. Não pertencem ao mesmo universo. Não vivem a mesma fase. Mesmo assim, conseguem provocar um no outro algo essencial: a autenticidade.
E isso me fez pensar em uma coisa que considero muito verdadeira, algumas pessoas não entram na nossa vida para nos ensinar a ser outra pessoa. Entram para nos lembrar de quem somos de verdade.
A relação deles mostra como certas amizades podem ser mais transformadoras do que muitos romances.
Uma das palavras que aparecem nas reflexões sobre o filme é libido, não apenas no sentido sexual, mas como energia vital. Aquilo que pulsa dentro de nós. E essa é uma das mensagens que achei mais bonitas. A pergunta não é apenas: Você está feliz? Talvez uma pergunta ainda mais poderosa seja: Você ainda sente vontade de viver? Vontade de experimentar algo? De viajar? De dançar? De rir sem motivo? De comer algo delicioso sem culpa? De conhecer pessoas? De se apaixonar por lugares? De descobrir uma nova versão de si mesma? Porque é possível cumprir todas as obrigações da vida e, mesmo assim, estar vivendo no modo automático.
O filme parece dizer: Não basta sobreviver bem. É preciso sentir. O corpo também precisa participar da vida. Há algo muito simbólico nas experiências de Agneta ao longo da história, ela começa a voltar para o próprio corpo. Não apenas para a aparência. Mas para a sensação, para o movimento, para a dança, para o prazer, para o toque da vida acontecendo. E isso é interessante porque, muitas vezes, quando estamos desconectados emocionalmente, também nos desconectamos do nosso corpo. Comemos sem sentir. Dormimos sem descansar. Nos movimentamos sem presença. Vivemos sem perceber. Voltamos para nós quando começamos a perguntar: O que eu gosto? O que me dá prazer? O que me faz sentir viva?
Agneta trouxe a vida de volta para Einar, e Einar, trouxe uma busca de sentido para Agneta.
Um belo filme para refletirmos. Assistam! 😉❣️Bjs, vou ficando por aqui. Uma feliz e abençoada semana para todos! 🫶🏻
